O dia 31 de outubro de 2010 passará para as páginas dos livros de História do Brasil. A história será contada de maneira didática para nossa sociedade como o dia em que, no período republicano, o Brasil disse sim para 4 anos de governo de uma mulher. O Brasil passará a ter como Chefe do Poder Executivo, a partir do dia 1° de janeiro de 2011, uma mulher, que vem concretizar todas as conquistas femininas diante da sociedade no século passado. Mas esta longa trajetória poderia ser contada de outras maneiras, e para mim, ela começa nas eleições de 2001, quando o Brasil disse sim a um governo liderado por um operário.
2002, uma vitória democrática da ideologia.
As eleições de 2002 foram marcadas pelo cansaço do povo brasileiro diante de escandalos de corrupção de um governo elitista e direcionado a interesses de poucos. A figura do PT, estigmatizada na imagem do então candidato Lula sofria com a desconfiança de uma imagem criada pelos detentores do poder midiático - ainda bem que Paloma Duarte foi consciênte - e por inúmeras vezes passou por maus momentos durante a cansativa campanha. Mas o estigma de Lula tinha uma coisa a seu favor, uma nova ideologia, que o brasileiro olhava com bons olhos, uma proposta de igualdade, de combate a pobreza, de crescimento por igual. Ele sabia do que se tratava, pois ele viu o problema de perto, e essa éra a esperança de muitos e o desconsolo de poucos, que viam o problema da descentralização do progreso atormentá-los, primeiro por 4 anos, e posteriormente, descobriu-se que durariam mais 4. Mas essa ideologia foi falha em alguns aspectos. Todos os escandalos de corrupção mostraram ao povo que se não houver uma fiscalização efetiva da sociedade civil sobre a máquina pública, não existe personagem incorruptível, seja ele deste ou daquele partido, e o povo verificou que não haveria revolução, que seria necessário se aliar a potencias capitalistas para promover o desenvolvimeto do país, enfim, que estaria surgindo um neo-socialismo, moldado e aplicado ao país por um operário. O Brasil se aproximou de grandes potências sim, mas impôs sua hegemonia, fez alianças, mas negociou prós e contras, promoveu os princípios capitalistas do consumo, mas deu poder de compra a pessoas que antes viviam a margem destes princípios, enfim, Lula e sua equipe mostraram para a sociedade que é possível atender interesses econômicos sem esquecer da função social primária do Estado que é cuidar de seu povo. E o que seria um governo de ideologia radical tornou-se em um marco inicial do neo-socialismo brasileiro.
2010, vitória ideológica da democracia.
O que se viu na campanha de 2010 a presidência da república foram fatos lamentáveis de uma oposição que queria o poder a qualquer custo. Tucanos e aliados promoveram uma campanha quase tão baixa quanto a campanha de 1990, onde Fernando Collor em aliança com setores "importantes da sociedade", derrubaram a tentativa petista de chegada ao Executivo Nacional. Nessa campanha, o partidarismo da mídia pró-tucana excedeu todos os limites da descência, jornalistas jogaram ao vento seu juramento acadêmico, aliado a isso, a postura inconsequênte do candidato tucano com relação a exploração de temas de apelo de massa e a distorção de denuncias de corrupção ligadas ao governo enfraqueceram a candidatura de Dilma Roussef proporcionando um novo viés aos rumos da disputa. Foi nesse cenário que identifiquei 3 fatos de extrema relevância para os rumos do Brasil daqui pra frente:
- O acesso a educação promovido pelo governo petista através de programas de incusão social e acesso a universidade desenvolveram um perfil de eleitor nunca antes visto no Brasil. A sociedade está mais crítica, mais assertiva. Esta mudança traçou, em parte, os rumos da política no primeiro turno com a ascenção de Marina Silva a mais de 20 milhões de votos. Este novo perfil de eleitor não abaixa a cabeça diante da força ou da hipocrisia, ele confia, acompanha e cobra. Isto irá forçar a política a uma renovação, uma re-invenção da maneira de fazer política. A oposição ja sentiu este golpe.
- Um novo personagem político aparece e reflete a imagem que o Brasil irá esperar dos próximos candidatos. A figura de Marina Silva foi extremamente apoiada pela massa intelectual do Brasil. Com valores que vão da ética a sustentabilidade responsável, a candidata tende a exercer um grande papél de liderança nos próximos anos pré-eleição.
- A democracia da mídia de acesso em massa venceu o partidarismo da mídia aberta. Não é a toa que governantes do mundo inteiro ja tocaram no assunto dos perigos que a internet representa para seus interesses. Ter uma mídia que não se pode controlar abre espaço para informações omitidas pela imprensa partidarista, elevando o grau de criticidade do eleitor. Desta vez, e ao que tudo indica a partir de agora, a internet foi o fator de diferença na exposição dos fatos que fizeram parte desta campanha. Ela foi o fator que proporcionou a candidata petista um nível de segurança com relação ao embate emocional tucano.
Esta História culmina com a ascenção da mulher brasileira. Em seu discurso pós-campanha, Dilma foi extremamente assertiva em afirmar que "a partir de agora um pai pode olhar nos olhos de sua filha e dizer, você pode". Foram 8 anos de intensa transformação política, uma transformação tão consistente que me arrisco a dizer que não há mais volta. Assim como em 2002 a esperança venceu o medo, em 2010 a vontade democrática venceu o terrorismo. Se em 2002 tivemos uma vitória democrática da ideologia, em 2010 houve uma vitória ideológica da democracia.
Neste sentido este Blog abandona a militância política. A partir de hoje não haverá mais nenhum edital partidário. Estaremos assumindo um carater científico e imparcial. Nossa função será a de fiscalizar.
Parabéns Dilma Roussef!





